Cibersegurança

Seu firewall pode estar funcionando perfeitamente, e ainda assim estar protegendo a empresa errada

O firewall da sua empresa está ligado. A internet funciona. Os usuários acessam os sistemas. Não há nenhum alerta aparente de falha.

8 min de leituraPor Equipe Glautec
Seu firewall pode estar funcionando perfeitamente, e ainda assim estar protegendo a empresa errada

Então está tudo certo?

Não necessariamente.

Um firewall pode estar tecnicamente funcionando e, mesmo assim, operar com regras criadas para uma empresa que já não existe mais: antes da migração para cloud, antes do trabalho remoto, antes de novos fornecedores, novas filiais, novos sistemas e novas integrações.

Esse é um dos pontos menos intuitivos da segurança de rede.

O problema nem sempre é o firewall estar quebrado. Às vezes, ele está obedecendo perfeitamente a regras que deixaram de fazer sentido.

Firewall corporativo não é apenas uma barreira contra a internet

É comum imaginar o firewall como um muro digital colocado entre a empresa e a internet.

A ideia ajuda, mas é incompleta.

O NIST define firewall como um dispositivo ou programa que controla o fluxo de tráfego entre redes ou equipamentos com diferentes níveis de segurança. Na prática, ele participa da decisão sobre quais comunicações podem acontecer e quais devem ser bloqueadas. (Csrc)

Em um ambiente empresarial, isso pode envolver muito mais do que impedir alguém de “entrar pela internet”.

O firewall pode participar do controle de comunicação entre usuários e servidores, matriz e filiais, serviços externos e aplicações internas, redes administrativas e outros segmentos do ambiente.

Por isso, a pergunta relevante não é apenas:

“Temos firewall?”

É:

“As regras desse firewall ainda representam a forma como nossa empresa funciona hoje?”

Sua empresa muda. As regras precisam acompanhar.

Considere um exemplo hipotético.

Uma empresa contrata um fornecedor para implantar determinado sistema. Durante o projeto, é necessário liberar um acesso específico.

A regra é criada.

A implantação termina.

O fornecedor deixa de precisar daquele acesso.

Mas ninguém revisa a configuração.

O firewall continua funcionando exatamente como deveria. Só que uma autorização criada para uma necessidade temporária permaneceu ativa.

Outro cenário: um servidor é substituído por uma aplicação em cloud. A arquitetura muda, mas regras relacionadas ao ambiente antigo continuam configuradas porque nunca houve uma revisão posterior.

Isso não significa automaticamente que a empresa sofreu uma invasão ou que existe uma vulnerabilidade explorável.

Significa algo mais simples e importante:

“O ambiente mudou e a política de segurança pode não ter acompanhado essa mudança.”

É justamente por isso que o NIST trata a gestão de firewalls como um processo que envolve seleção, configuração, teste, implantação e gerenciamento, não apenas instalação inicial. (Csrc)

O erro mais comum: “Se está funcionando, não mexe”

Em muitas áreas da tecnologia, essa frase parece prudente.

Quando o assunto é segurança, ela pode esconder um problema.

Imagine quantas mudanças uma empresa acumula ao longo de alguns anos.

Novos colaboradores entram.

Outros saem.

Sistemas são substituídos.

Fornecedores mudam.

Filiais são abertas.

Aplicações passam para a cloud.

VPNs são criadas.

Equipamentos de automação são implantados.

Redes Wi-Fi são ampliadas.

Novos serviços precisam de comunicação com a internet.

Cada mudança pode exigir alguma alteração no ambiente.

O resultado é que uma configuração inicialmente simples pode acumular exceções e permissões ao longo do tempo.

E quanto menos documentadas estiverem essas alterações, mais difícil se torna responder:

Por que essa regra existe?

Essa talvez seja uma das perguntas mais valiosas em uma revisão de firewall.

Se ninguém consegue explicar a finalidade de uma permissão, ela merece investigação.

Não porque toda regra antiga seja perigosa, mas porque segurança exige intenção.

Mais moderno não significa automaticamente mais seguro

Outro equívoco é imaginar que trocar o equipamento resolve automaticamente o problema.

Um firewall novo pode oferecer recursos mais atuais, maior capacidade ou funcionalidades adequadas a uma nova arquitetura.

Mas equipamento moderno com política inadequada continua sendo uma política inadequada.

É possível investir em uma solução sofisticada e manter permissões excessivas, acessos desnecessários ou uma arquitetura que não separa adequadamente ambientes com funções diferentes.

A discussão, portanto, não deveria começar pelo catálogo.

Deveria começar pelo ambiente.

O que precisa comunicar com o quê?

Por qual motivo?

Quem precisa desse acesso?

Por quanto tempo?

O que aconteceria se essa comunicação fosse bloqueada?

Quando essas respostas estão claras, a tecnologia pode ser dimensionada com muito mais qualidade.

Firewall também tem relação com organização da rede

Imagine uma empresa com computadores administrativos, celulares pessoais, visitantes, câmeras, equipamentos de automação, servidores e dispositivos de PDV.

Todos esses ativos possuem a mesma função?

Não.

Então por que necessariamente deveriam ter o mesmo nível de acesso entre si?

Dependendo da arquitetura, a segmentação permite separar grupos de ativos e controlar melhor quais comunicações são realmente necessárias. O próprio NIST orienta o uso de firewalls também entre redes internas quando existem requisitos de segurança diferentes. (NIST Publicações Técnicas)

Isso mostra por que segurança e infraestrutura não deveriam ser tratadas como mundos separados.

Uma rede mal organizada torna mais difícil aplicar controles coerentes.

Por outro lado, uma infraestrutura planejada permite criar fronteiras mais claras entre usuários, aplicações, dispositivos e serviços.

É uma discussão que se conecta diretamente ao artigo da Glautec sobre Infraestrutura de TI.

Firewall não substitui as outras camadas de segurança

Outro risco é concentrar confiança demais em uma única tecnologia.

O firewall é importante.

Mas não é uma solução completa de cibersegurança.

O próprio NIST destaca que firewalls não conseguem identificar todas as formas de ataque e que determinadas comunicações internas podem nem passar por um firewall de perímetro. (NIST)

Por isso, dependendo do ambiente e do risco, a segurança pode exigir outras camadas: proteção de endpoints, controle de acesso, autenticação, atualizações, backup, monitoramento, segmentação e capacidade de resposta a incidentes.

Essa visão em camadas é aprofundada no artigo Cibersegurança empresarial: sua empresa está preparada para continuar operando após um ataque?

A mensagem central é simples:

“Firewall é uma parte da defesa. Não é a defesa inteira.”

Quando uma regra temporária vira permanente sem ninguém perceber

Esse é um ponto especialmente relevante porque boa parte das configurações nasce de necessidades legítimas.

Um sistema precisa funcionar.

Um fornecedor precisa acessar.

Uma filial precisa comunicar.

Um projeto precisa ser concluído.

A equipe libera o necessário para resolver a situação.

O problema surge quando a exceção deixa de ser revisitada.

O que deveria durar duas semanas pode permanecer dois anos.

Não porque alguém decidiu mantê-la, mas porque ninguém voltou para decidir se ela ainda era necessária.

Por isso, segurança também é governança.

Alterações importantes precisam ter contexto, responsável, validação e, quando aplicável, possibilidade de reversão.

Os próprios materiais operacionais da Glautec tratam a gestão de mudanças com planejamento, avaliação de riscos e impacto, aprovação, comunicação, execução monitorada e validação pós-implementação.

Isso ajuda a substituir uma cultura de improviso por uma cultura de controle.

Então, com que frequência o firewall deve ser revisado?

Não existe um número universal que sirva para toda empresa.

Uma organização que quase não altera seu ambiente possui uma dinâmica.

Uma empresa que abre unidades, implanta sistemas, conecta fornecedores, muda serviços para cloud e altera continuamente a infraestrutura possui outra.

Por isso, estabelecer uma frequência arbitrária seria menos útil do que criar uma regra de gestão:

“Mudanças relevantes no ambiente devem provocar uma pergunta sobre segurança.”

Se mudou a arquitetura, vale revisar.

Se entrou uma nova aplicação crítica, vale revisar.

Se um fornecedor recebeu ou perdeu acesso, vale revisar.

Se uma filial foi criada, vale revisar.

Se ocorreu um incidente, vale revisar.

A revisão deixa de ser um ritual de calendário e passa a acompanhar a evolução da empresa.

Sete perguntas que valem mais do que “o firewall está ligado?”

Antes de discutir substituição de equipamento, uma empresa deveria conseguir responder:

  1. Quem é responsável pela administração do firewall hoje?

  2. As regras existentes possuem finalidade conhecida e documentada?

  3. Existem permissões criadas para projetos, fornecedores ou sistemas que já terminaram?

  4. Mudanças importantes passam por algum processo de avaliação e validação?

  5. A rede possui separações coerentes entre ambientes com funções diferentes?

  6. Eventos relevantes são acompanhados ou o firewall é lembrado apenas quando algo para?

  7. A configuração atual corresponde à infraestrutura, aos sistemas e às formas de trabalho que a empresa utiliza hoje?

Não conseguir responder não significa, por si só, que existe um incidente em andamento.

Significa que existe uma lacuna de visibilidade.

E segurança administrada sem visibilidade tende a se tornar reativa.

Comprar outro firewall pode ser a solução. Mas não deveria ser a primeira conclusão.

Há situações em que substituir o equipamento é necessário.

Pode faltar capacidade.

Pode existir limitação tecnológica.

O produto pode não atender mais à arquitetura.

Pode não haver suporte adequado.

A empresa pode precisar de funcionalidades diferentes.

Mas também existem situações em que o principal problema está na configuração, na organização da rede, na documentação, no monitoramento ou na ausência de gestão das mudanças.

É exatamente por isso que diagnosticar vem antes de prescrever.

A pergunta certa não é “qual firewall devemos comprar?”.

É:

“O que precisamos proteger, quais comunicações a operação realmente exige e como vamos administrar isso ao longo do tempo?”

Como a Glautec atua nessa frente

O portfólio oficial da Glautec inclui Firewall Corporativo dentro do Glautec Sentinela, solução voltada à segurança do ambiente empresarial. O mesmo portfólio apresenta outras frentes relacionadas, como antivírus gerenciado, SOC, NOC, monitoramento de ameaças, proteção de rede e segurança perimetral.

Isso é importante porque segurança não deveria ser tratada apenas como compra de equipamento.

Ela precisa conversar com infraestrutura, conectividade, usuários, sistemas, monitoramento e operação.

Cada empresa possui uma arquitetura e uma necessidade diferentes. Por isso, funcionalidades, configurações e escopo precisam ser definidos conforme o ambiente real, não presumidos a partir de uma lista genérica.

Seu firewall está protegendo a empresa que existe hoje?

A maioria das empresas percebe facilmente quando um computador envelhece.

O sistema fica lento.

A bateria dura menos.

O equipamento apresenta falhas.

Com o firewall, o envelhecimento pode ser menos evidente.

Ele continua ligado.

Continua encaminhando tráfego.

Continua executando regras.

O problema é que a empresa ao redor dele mudou.

Novas pessoas.

Novos sistemas.

Novos acessos.

Novas aplicações.

Novos riscos.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja quando o firewall foi comprado.

É:

Quando foi a última vez que alguém verificou se aquilo que ele permite e bloqueia ainda faz sentido para a operação atual?

Um firewall pode estar funcionando perfeitamente.

Só não deveria estar protegendo a empresa de três anos atrás.

Se sua organização não sabe responder quais regras existem, por que existem e se ainda são necessárias, o próximo passo pode não ser comprar outra tecnologia.

Pode ser entender melhor a que já está em operação.

Deixa que a gente resolve.

Kevin Marques | Glautec Tecnologia

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