A recente situação da Oi colocou novamente uma palavra importante no centro das telecomunicações: continuidade.
Em 25 de agosto de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro confirmou a falência da companhia. No mesmo dia, a Anatel informou que acompanhava os efeitos da decisão e destacou como prioridade assegurar a continuidade dos serviços de telecomunicações durante a transição.
Para uma empresa, o episódio traz uma reflexão que vai além da situação de uma operadora específica:
se um fornecedor, um link ou uma parte da infraestrutura deixar de funcionar, existe realmente outro caminho disponível?
Muitas empresas responderiam rapidamente:
“Sim. Temos dois links de internet.”
Mas isso ainda não comprova redundância.
Duas operadoras podem compartilhar trechos físicos. Os dois links podem entrar no prédio pelo mesmo ponto. E, mesmo que as rotas externas sejam diferentes, ambos podem depender do mesmo firewall, switch, nobreak ou configuração.
Por isso, a pergunta correta não é:
“Temos dois links?”
É:
“Se o principal falhar, existe um caminho realmente independente e testado para manter a operação?”
Essa diferença separa um segundo contrato de internet de uma verdadeira estratégia de redundância de internet.
Dois links de internet garantem redundância?
Não necessariamente.
Ter um segundo link cria um recurso adicional e pode aumentar significativamente a disponibilidade.
Mas a resiliência depende de entender quais pontos os dois serviços ainda compartilham.
Imagine que uma empresa contrate internet de duas operadoras.
Os dois links chegam ao imóvel pelo mesmo poste.
Uma obra na rua rompe a passagem.
Os dois serviços ficam indisponíveis.
A empresa possuía redundância comercial — dois contratos e dois fornecedores —, mas pouca diversidade física.
Esse é um dos principais motivos pelos quais simplesmente contratar uma segunda operadora não encerra a discussão.
Redundância e diversidade não são a mesma coisa
Os conceitos estão relacionados, mas não são idênticos.
Redundância é a existência de um recurso adicional capaz de assumir quando outro deixa de funcionar.
Diversidade procura reduzir os elementos comuns entre os dois caminhos.
Um bom projeto de conectividade precisa observar os dois.
Quanto mais componentes o caminho principal e o secundário compartilham, maior a possibilidade de uma única ocorrência afetar os dois.
Por isso, a análise não deve parar no nome das operadoras.
Ela precisa chegar à arquitetura.
Onde podem existir pontos comuns de falha?
Alguns são evidentes.
Outros passam despercebidos até o dia da indisponibilidade.
Entre eles:
trecho físico de entrada no imóvel;
poste;
duto;
caixa de passagem;
rack;
firewall;
roteador;
switch central;
alimentação elétrica;
nobreak;
configuração de rede;
infraestrutura interna;
procedimento de failover.
O objetivo da análise é descobrir onde aparentemente existem dois recursos, mas ambos continuam dependendo de um único elemento.
Dois links podem significar dois fornecedores e, ainda assim, existir um único ponto de falha.
Duas operadoras podem utilizar o mesmo caminho?
Sim.
Por isso, diversidade de operadora e diversidade física precisam ser avaliadas separadamente.
Dependendo da infraestrutura disponível na região, diferentes provedores podem utilizar trechos comuns de postes, dutos, caixas ou outras estruturas.
Em operações nas quais conectividade é crítica, vale entender com os fornecedores:
por onde o circuito chega ao imóvel;
se os links entram pelo mesmo local;
se existem trechos físicos compartilhados;
se há possibilidade de rotas diferentes;
quais pontos permanecem comuns.
Talvez não seja tecnicamente ou economicamente possível eliminar todos os riscos compartilhados.
O importante é conhecê-los.
Sem essa informação, a empresa pode acreditar que eliminou uma dependência que continua existindo.
Um segundo link no mesmo firewall resolve?
Ele resolve um tipo de falha.
Se o problema estiver no link principal, o segundo pode assumir.
Mas e se o equipamento que recebe os dois links deixar de funcionar?
Se ambos terminarem no mesmo firewall, ele passa a ser um ponto crítico da arquitetura.
A mesma reflexão vale para:
roteadores;
switches;
controladores;
energia;
rack;
outros elementos centrais.
Isso não significa que toda empresa precise duplicar todos os equipamentos.
A decisão depende da criticidade da operação, do impacto de uma indisponibilidade e do nível de resiliência necessário.
A pergunta passa a ser:
“Quais componentes conseguem interromper toda a operação sozinhos?”
Essa é uma discussão mais útil do que simplesmente contar quantos links existem.
E se faltar energia?
A operadora pode continuar entregando o serviço até o imóvel e, mesmo assim, ninguém conseguir acessar a internet.
Firewall, roteador, switches, access points e demais equipamentos de borda dependem de alimentação elétrica.
Por isso, uma estratégia de conectividade precisa considerar também:
nobreak;
autonomia necessária;
qualidade da alimentação;
equipamentos que precisam permanecer ligados;
gerador, quando aplicável;
procedimento durante interrupções prolongadas.
Redundância de internet sem continuidade da infraestrutura elétrica protege apenas parte da operação.
O segundo link assume automaticamente?
Não necessariamente.
O failover precisa estar configurado.
E, principalmente, precisa ser testado.
Dependendo da arquitetura, o ambiente pode monitorar a conexão principal e direcionar o tráfego ao segundo link quando detecta uma indisponibilidade.
Mas algumas perguntas precisam ser respondidas antes que isso seja considerado uma contingência real:
como a falha é identificada?
quanto tempo leva a comutação?
todos os sistemas continuam funcionando?
o que acontece com VPNs?
e com aplicações em cloud?
telefonia continua disponível?
existem serviços que dependem de determinado endereço IP?
como acontece o retorno ao link principal?
Configuração no papel não é o mesmo que continuidade comprovada.
Um segundo link que nunca foi testado ainda é apenas uma hipótese de contingência.
O link secundário precisa ter a mesma velocidade?
Depende da estratégia de negócio.
Nem sempre o objetivo da contingência é manter 100% da operação no mesmo nível de desempenho.
Uma empresa pode decidir que, durante uma indisponibilidade, determinadas aplicações precisam continuar funcionando primeiro:
ERP;
faturamento;
PDV;
sistemas em cloud;
comunicação;
aplicações críticas;
acesso a serviços externos.
Outras operações podem precisar manter praticamente toda a capacidade normal.
Por isso, antes de dimensionar o segundo link, a pergunta deveria ser:
“O que obrigatoriamente precisa continuar funcionando durante uma falha?”
A capacidade do circuito secundário deve ser definida a partir dessa resposta.
Usar tecnologias diferentes pode aumentar a resiliência?
Pode ajudar.
Em alguns ambientes, combinar tecnologias ou meios de acesso diferentes reduz determinadas dependências físicas comuns.
Mas utilizar tecnologias distintas também não deve ser entendido automaticamente como garantia de independência.
O princípio permanece o mesmo:
A alternativa continua disponível no mesmo cenário que derruba o caminho principal?
Se a empresa não consegue responder, existe um risco ainda não mapeado.
Redundância também depende de monitoramento
Existe outro problema frequente.
O link de backup passa semanas ou meses sem ser utilizado.
Enquanto isso, pode surgir:
falha na operadora;
problema de configuração;
degradação;
alteração de rota;
defeito no equipamento;
perda de capacidade.
A empresa só descobre quando tenta utilizar a contingência.
Por isso, links alternativos também precisam ser monitorados.
Alertas podem ajudar a identificar problemas antes da necessidade real de utilização.
Ter um plano B sem saber se ele está funcionando reduz bastante o valor do plano B.
Failover precisa ser testado
Esse é um dos passos mais importantes.
A empresa pode realizar testes controlados simulando a indisponibilidade do link principal.
O teste deve verificar:
se a falha é identificada;
se o link secundário assume;
quanto tempo leva a troca;
quais aplicações continuam funcionando;
quais apresentam impacto;
se os responsáveis recebem alerta;
como ocorre o retorno ao ambiente normal.
Também vale registrar o resultado.
Se uma configuração mudou desde o último teste, a resposta do ambiente pode mudar.
Redundância não deveria ser uma crença.
Deveria ser uma capacidade validada.
Checklist: sua internet é realmente redundante?
Antes de afirmar que a conectividade possui redundância, vale responder:
Temos mais de um link?
São fornecedores diferentes?
Conhecemos o caminho físico dos circuitos?
Eles entram pelo mesmo ponto do imóvel?
Compartilham algum trecho conhecido?
Existe failover configurado?
O failover já foi testado?
Sabemos quanto tempo a troca demora?
O segundo link suporta os sistemas prioritários?
Existe um único firewall crítico?
Existe um único switch central crítico?
Os equipamentos continuam ligados durante falta de energia?
Os dois links são monitorados?
Existe alerta quando algum deles falha?
Sabemos como o ambiente volta para a condição normal?
A contingência é revisada periodicamente?
Se várias respostas forem “não sabemos”, talvez o próximo passo não seja contratar um terceiro link.
Pode ser entender melhor a arquitetura dos dois que já existem.
Dois links são parte da estratégia — não a estratégia inteira
A situação recente da Oi reforça uma realidade importante: continuidade não deveria depender da expectativa de que um fornecedor, uma rota ou um equipamento nunca falhe.
A própria Anatel destacou a continuidade dos serviços como prioridade diante da transição decorrente da falência da companhia.
No ambiente empresarial, o raciocínio é semelhante.
Contratar um segundo provedor pode ser uma excelente decisão.
Mas redundância real exige olhar para o conjunto:
links + diversidade + equipamentos + energia + configuração + monitoramento + testes.
Dois contratos podem significar duas operadoras.
Não necessariamente dois caminhos.
Por isso, antes de considerar a conectividade protegida, faça uma pergunta simples:
“Se o link principal cair agora, sabemos exatamente o que acontece depois?”
Se a resposta depender da sorte de a falha acontecer no lugar certo, ainda existe um risco a ser tratado.
A Glautec pode ajudar a avaliar conectividade, infraestrutura, pontos de falha e estratégias de contingência de acordo com a necessidade da operação.
Deixa que a gente resolve.





